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Impressões sobre o 1º Ugra Zine Fest

17/02/2011

  Meia dúzia de palavras, um punhado de fotos e um vídeo sobre o primeiro evento organizado pela Ugra Press.

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Todas as fotos por Daniela Cantuária Pinheiro (dcantuariapinheiro@yahoo.com.br).

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…e então, após meses de trabalho, algumas madrugadas em claro, dezenas de zines invadindo nossa caixa postal, incontáveis e-mails e longas conversas, a Ugra Press finalmente debutou no mundo real com dupla estréia: o lançamento do 1º Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas e a primeira edição do Ugra Zine Fest. E que bela estréia! Sobre o Anuário falaremos logo mais em um post especial. Já o Ugra Zine Fest foi um evento que apresentou, em dois dias de intensa programação, um recorte representativo do que há de melhor na imprensa alternativa e no cenário independente nacional. A seguir, um breve relato desses dois dias inesquecíveis.

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Sexta-feira, dia 11 de fevereiro – Espaço Impróprio

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O primeiro dia do UZF foi reservado exclusivamente ao lançamento do Anuário, e a programação prometia! Afinal, além de contarmos com a presença de algumas de nossas bandas favoritas, estávamos em um dos lugares mais legais de São Paulo, um pico onde nos sentimos em casa: o lendário (e em breve defunto, infelizmente) Espaço Impróprio. O clima era de festa.

A noite começou com uma estréia: após quase 10 anos de existência e diferentes encarnações, o duo Sleepwalkers Maladies pisava pela primeira vez nos palcos. Velhos parceiros e colaboradores ugranianos, Jakob Crisis e Peter Framer inundaram o palco do Impróprio com seu som peculiar, em que são perceptíveis as influências de Death In June, Current 93, Psychic TV e congêneres.

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Na sequência, uma dupla completamente diferente do Sleepwalkers Maladies: Test. Formado por Barata e João, dois veteranos da grosseria musical que estão ou já estiveram em bandas como D.E.R., Are You God? e Sick Terror, o Test fez um dos shows mais esperados da noite. Seu som, um grind/death metal com referências à velha escola do gênero, empolgou o público e deixou aquele saudável “gostinho de quero mais”.

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Fechando a noite, o veterano Elma fez jus à reputação de ser uma das bandas mais pesadas e inovadoras do underground brasileiro. Às vésperas do lançamento de seu aguardado primeiro full lenght, o quarteto hipnotizou os presentes, que literalmente suavam bicas no abafado subsolo do Impróprio. Impossível não assinalar o entrosamento desses caras.

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Enquanto isso, no andar de cima, zineiros, punks, freaks, ativistas, quadrinistas e curiosos confraternizavam e se acotovelavam entre o bar, o misterioso Brechó da Brenda e as banquinhas da Ugra e do pessoal da Tour de Zines. Tudo muito bom, mas precisávamos puxar cedo o nosso carro porque o dia seguinte seria uma verdadeira maratona de atividades.

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Sábado, dia 12 de fevereiro – Concreto

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Ainda exaustos e empolgados com a noite anterior, fomos aos poucos chegando no Concreto. Precisávamos cuidar dos últimos retoques na exposição, acertar algumas coisas no equipamento e todos esses detalhes que sempre ficam para a última hora. MTV apareceu logo de cara, gravamos entrevistas e continuamos as correrias.

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Pouco antes das 14h começou a chegar o povo que havia se inscrito na oficina de encadernação artesanal que o Rodrigo Okuyama, do fantástico zine La Permura, iria ministrar. Taí a única coisa chata de organizar um evento assim: eu estava louco para participar dessa oficina, mas tinha que estar sempre em movimento, cuidando para que as coisas ficassem prontas e acontecessem nos horários previstos. Tudo bem. Pelos comentários, a oficina foi um sucesso.

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Logo em seguida rolou a oficina de serigrafia em papel, comandada pela Carina e pelo Binho, da Cooperativa Manjericão. Recém chegados da bem sucedida Tour de Zines que fizeram junto ao Coletivo Você Tem Que Desistir, a carismática dupla carioca compartilhou seus conhecimentos nesta tradicional técnica de impressão, tudo no melhor estilo “faça-você-mesmo”.

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A atividade seguinte seria a palestra com os mestres Gazy Andraus e Elydio dos Santos, mas, como eles ainda não haviam chegado ao Concreto, a Carina e o Binho aproveitaram que estavam no embalo e adiantaram o bate papo sobre a “Tour de Zines”. Nesse momento começamos a ter os primeiros problemas com o equipamento e eles tiveram que se virar sem recursos áudio-visuais. Felizmente, não tem tempo ruim para esses dois. Diante de uma sala cheia, eles explicaram o que foi a tão comentada tour, como eles se organizaram, como foi possível viabilizá-la. Muita gente saiu de lá inspirada!

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Na sequência, Gazy e Elydio, que já estavam no local, trataram de apresentar o interessantíssimo trabalho que estão desenvolvendo a partir do conceito dos biographic zines. Infelizmente tivemos mais alguns problemas com o projetor, que ora tingia de verde todas as imagens, ora simplesmente parava de funcionar. Professores experientes que são, Gazy e Elydio driblaram as adversidades e passaram o recado. Uma pena que eu não tenha conseguido ver quase nada desta palestra pois estava fora da sala com o resto da equipe da Ugra bolando meios de evitar novas falhas técnicas na atividade seguinte.

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A solução encontrada foi realizar fora da sala a palestra da Olga Defavari. Rapidamente acomodamos os presentes no mesmo ambiente onde estava rolando a feira de zines e aproveitamos o equipamento que estava lá. Minutos antes de iniciar o colóquio, Olga comentou comigo sobre sua timidez e a ansiedade de falar em público. Devia ser brincadeira dela, porque eu fiquei impressionado com a segurança e clareza da menina! O conteúdo também foi excelente, tomando como base a pesquisa que ela fez sobre a rica história da imprensa alternativa no ABC paulista. Posteriormente transformada em um excelente livro, esta pesquisa abrange desde os pasquins da época da ditadura até os fanzines surgidos com a chegada do movimento punk.

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De volta à sala das palestras, demos início a um debate com o tema “O Futuro dos Fanzines”, reunindo um elenco de primeira: Márcio Sno (diretor do documentário “Fanzineiros do Século Passado”), Renato Donisete (editor do lendário Aviso Final) e Fernanda Meireles (ex-editora do Esputinique, idealizadora da ONG Zinco e agitadora da futura fanzinoteca de Fortaleza), além do já citado Gazy Andraus. Falamos sobre internet, sobre a relação entre fanzine e música, sobre os fanzines em outras partes do mundo, sobre nostalgia. Papo excelente que fez o tempo passar voando.

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Como estávamos desprovidos de projetor, ficou faltando apenas passar o vídeo que nosso comparsa Law Tissot havia preparado exclusivamente para o início deste debate. Aproveite, então, e assista-o agora:

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Pouca gente sabia o que esperar do show surpresa que viria após o debate. Alguns acreditaram que um grande figurão da música independente apareceria por lá e daria uma canjinha. Ledo engano. Aqui na Ugra nós não damos a mínima para os grandes figurões. Por outro lado, adoramos quando alguém se mete a fazer algo que provoque, que bagunce conceitos e que leve uma idéia aos seus limites. E foi isso que nosso amigo curitibano Mário Baril ofereceu com o Yersiniose, seu projeto solo. Numa apresentação curtíssima, de cerca de 15 minutos, Mário tomou cada centímetro do Concreto com uma avalanche sonora devastadora e desconcertante, deixando muita gente com aquela indefectível cara de ponto de interrogação. Missão cumprida!

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Os ouvidos ainda zuniam e já dávamos início a uma das mais aguardadas atividades do evento: a exibição em primeira mão do documentário “Fanzineiros do Século Passado”, idealizado e dirigido por Márcio Sno. Com os olhos grudados na tela, o público se deliciou com os depoimentos impagáveis de diversos faneditores dos anos 90 (vários dos quais estavam presentes), potencializados pela edição rápida e fluída do filme. Sno, sem dúvida alguma, criou um registro valiosíssimo para o fanzinato brasileiro. Ao final, o filme e o diretor foram longamente aplaudidos, encerrando com chave de ouro o 1º Ugra Zine Fest.

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Fica aqui nosso profundo agradecimento a todos os que acreditaram neste projeto, aos que compareceram, divulgaram ou ajudaram de qualquer maneira. Ano que vem tem mais!

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8 Comentários leave one →
  1. Ioneide Santos do Nascimento permalink
    18/02/2011 00:16

    Tanta coisa boa aconteceu aconteceu aí.Ao ler esse relato ,não me resta dúvida de que o evento valeu!
    Só me resta esperar o 2º Ugra Zine fest e me esformçao pra ir.
    Ah, fico aguardando também como devo fazer pra ter também o anuário.Abraço a todos os organizadores!

  2. 18/02/2011 07:45

    Repito (e repetirei quantas vezes forem necessárias): foi uma grande honra participar de um maravilhoso evento como esse! E honra inenarrável lançar a primeira parte do doc nessa oportunidade!
    Os problemas que aconteceram foram absolutamente normais e não tenham dúvidas de que em nada tiraram o brilho do Ugra Zine Fest.
    Parabéns para o Douglas, o Leandro, a Dani e os demais que fizeram essa festa muito importante para o fanzinato nacional!
    Grande abraço e contem comigo sempre!
    Força! Resistência! E muitos zines!

  3. 18/02/2011 11:14

    Bruto!

    Sexta feira foi foda demais e infelizmente não pude comparecer sabadão.

    Queria parabenizar, em praça pública gritando com todas as forças, os envolvidos. Douglas e o Leandro realizaram de forma séria um evento único do gênero.

    Em breve rola minha resenha no IB e mando pra vcs aqui.

    V. Warrior

  4. Paula Tejando permalink
    18/02/2011 11:35

    Que saudades do Douglas, que barriguinha linda!

    • 18/02/2011 11:53

      Um pouco abaixo da barriga tem outra coisinha linda, Paula.
      Abraços para a família Tejando!

  5. 18/02/2011 15:36

    Que grande festa. Pena eu estar longe e não poder comparecer. Eventos como esse fazem tudo valer a pena. Parabéns Douglas e demais envolvidos. Vamos continuar bagunçando!

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