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Pamela Zechilinski

15/07/2010

UGRA convida você a penetrar nos mistérios de Haertel, um vídeo (ou seria performance?) desenvolvido pela artista multimídia Thais Amarante, que se manifesta através do pseudônimo Pamela Zechilinski.

 

Por: Law Tissot (tissot_law@yahoo.com.br)

Thais – ou Pamela? – falou exclusivamente à UGRA sobre suas escolhas e trajetória.

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(…) tão importante quanto saber como surgiu, é definir o que é videoarte. Poderia dizer que é uma vertente das Artes Visuais. O vídeo é uma técnica assim como é a pintura, escultura ou gravura. Acredito que o mais apropriado seria dizer que é o vídeo feito pelo artista, ou, como alguns costumam chamar, “vídeo de artista”, “cinema de artista”. Mas não podemos confundir videoarte com cinema ou televisão, só porque se utiliza dos mesmos meios. O vídeo pertence à linha genealógica do cinema, da fotografia e da pintura como nos diz Vilém Flusser, mas ele prefere distanciá-lo deste meio e conduzi-lo à linha dos cristais de aumento, tipo microscópio, telescópio. “O filme ‘representa’ (está do lado artístico), enquanto o vídeo é um instrumento epistemológico que apresenta, especula e filosofa”.

Gosto de pensar o vídeo a partir de sua etimologia que tem origem no latim: “video” é a primeira pessoa do singular do verbo “vedere”, que significa ver no sentido de compreender. Entendo o vídeo como se fosse a extensão do meu olhar, a câmera sendo usada num sentido de “prótese da visão”, onde a câmera é a extensão do meu pensamento. Sendo assim, quase um híbrido não? Gosto disso! Se realmente vemos com o corpo inteiro, como afirma Merleau-Ponty, esta experiência se ramifica e interfere na minha visão sobre tudo.

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(…) o pseudônimo Pamela Zechlinski surgiu há uns 13 anos, quando precisava dar nome a uma personagem de teatro. Depois resolvi incorporá-lo como nome artístico. Sempre tive esse interesse desde criança por um outro eu, acho interessante ter um desdobramento de você mesmo, um personagem que vive a sua vida e você a dele. Poderia também definir como um personagem que divide um mesmo espaço em planos, do real, do ilusório, e da memória. Essa “dissociação de personalidade” sempre existiu de forma saudável, quase uma brincadeira de criança que persiste até hoje… Lembro que me encontrei, ainda adolescente, com os poemas de Fernando Pessoa, e foi um alívio: “Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho…”
Para meu nome de batismo havia duas opções: Pamela e Angela. Mas no último momento foi Thaís, dado por minha avó (e ninguém ousaria discordar!). Já o sobrenome polonês Zechlinski, foi justamente uma afeição inexplicável, no momento em que ouvi sabia imediatamente que o conhecia.

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(…) o Haertel costumo dizer que foi um encontro, com uma incrível arquitetura em ruínas, um lugar extraordinário. Influenciada pelas idéias de Andrei Tarkovski, principalmente pelo filme Stalker, procurava um lugar que fosse uma espécie de “zona”, um lugar, uma sala no filme, onde seria possível realizar um desejo de quem a encontrasse. Acabei me deparando com um imenso lugar, após ter explorado todos os seus percursos labirínticos, resolvi criar uma ficção onde no começo existia apenas a personagem feminina. Queria que o espectador pudesse acompanhar todo o percurso que eu mesma fiz quando conheci o lugar, com cenas de câmera fixa e tempo real, com isso se tem a impressão de que tudo acontece demasiadamente lento. Nesta associação de interesses creio que consegui unir personagens que vivem num espaço-tempo deslocado nesta arquitetura em ruínas. Ainda dou hipóteses de que talvez fosse possível eles coexistirem num mesmo ambiente e não se verem, ou seria delírio de um dos personagens? Quem sabe, um lugar onde seria possível existir nossos desejos projetados? Deixo em aberto, uma pequena dúvida, para que o espectador possa definir dentro de suas reflexões o que realmente acontece em Haertel.
O importante pra mim é que o espectador dos meus vídeos tenha a chance de interagir com o trabalho. Gerar dúvidas e que isso o faça pensar, mas não dúvidas de incompreensão, e sim estímulos para criar. Quase nada na vida real de uma maneira mais ampla tem início-meio-fim definidos, tudo de alguma forma se transforma. Se você conseguir fazer com que o indivíduo/espectador pense a respeito daquilo que você está propondo, o sentido de “fazer arte” se cumpre.
No site você acompanha todo o processo de criação, do primeiro ao último dia, fotos, making of, trailer, o vídeo, a história do local, a equipe e as músicas originalmente feitas para o vídeo.

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(…) estou com três projetos encaminhados, ainda não sei qual acabará saindo primeiro. Mas posso adiantar que um deles tem nome, “Ephemerida = a Ephemeróptera” (como o nome mesmo diz, Efêmera), continuo fazendo relações com o tempo, mas neste vídeo acontece em uma escala bem menor que a humana, a de um inseto. Estou em fase de pesquisa aprofundada na entomologia, e origens dos tempos. Os outros são um vídeo em que continuo explorando as diversas ramificações da visão de tempo e um documentário sobre os aspectos da condição humana.
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O vídeo Haertel – e todas as informações possíveis sobre sua produção – pode ser assistido na íntegra em www.oligoplix.com

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One Comment leave one →
  1. 20/07/2010 09:31

    Vida longa ao Haertel!

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