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Notes from underground

25/02/2010

Entrevistamos o criador do Notes From Underground, um blog especializado em fanzines produzidos na agitada cena industrial/experimental dos anos 80 e 90. Run, xerox!

Depois de anos gloriosos entre o início da década de 80 e meados da década de 90, a produção de fanzines foi drasticamente diminuída com a popularização da internet. Aproveitando as facilidades oferecidas pelos meios digitais, uma enigmática figura que atende pelo pseudônimo de 433rpm prestou-se a honrar o valor histórico daquelas pérolas xerocadas, apresentando uma solução alternativa para o polêmico embate “impresso x virtual”. Em seu blog Notes From Underground, ele posta scans de antigos fanzines dedicados à cena experimental/industrial, incluindo diversas raridades.

Na entrevista a seguir, o lacônico 433rpm, que também mantém os blogs No Longer Forgotten Music (dedicado exclusivamente à chamada cassette culture) e Tijdschrift Vinyl (que publica unicamente scans da revista holandesa Vinyl),  fala sobre suas motivações, nostalgia e seu amor pela internet.

 

 

 

UGRA – Por favor apresente-se aos nossos leitores.

433rpm – Estou me escondendo como 433rpm. Isso é tudo o que há para saber. O resto não interessa.

Eu gostaria de saber um pouco sobre seu envolvimento com a cena underground. Industrial foi o primeiro estilo com o qual você teve contato? Quando foi isso?

Não, foi o pós-punk, por volta de 1980. Disso para os cassetes, em 1981.

Porque você decidiu começar o blog Notes From Underground? Qual seu objetivo com ele?

Alguém me perguntou se eu poderia ajudar com alguns scans do The Other Sound, que por acaso eu tinha. Eu escaneei os números que ele queria e continuei com mais alguns.

Considerando seu blog, você deve ter uma grande coleção de fanzines. O que o atraiu a essa mídia, num primeiro momento? Foi o lado estético/artístico dela, a necessidade de informação ou ambos?

Bem, eu não tenho uma grande coleção de fanzines, apenas tenho alguns. Eu os consegui quando eles foram lançados, basicamente pela necessidade de obter informação. Eu não ligo para estética, mesmo.

Alguma vez publicou seu próprio zine?

Não.

Como é sua rotina? Imagino que seus blogs demandem bastante esforço. Quanto tempo você dedica a eles diariamente? Como é o processo para criar uma nova postagem para o Notes From Underground (desde selecionar um zine, escaneá-lo, etc, etc)?

Eu acordo, leio o jornal, tomo café. Para o meu blog No Longer Forgotten Music eu já deixei uma grande quantidade de cassetes prontos no passado, então eu varro meu hard drive, escolho um, faço o upload. Trabalhinho de 2 minutos. Mensalmente eu dedico uma tarde escaneando 6 ou 7 fanzines para aquele mês. Isso é tudo. Eu os escolho aleatoriamente em uma pilha que tenho aqui.

Em sua opinião, qual é o fanzine mais influente, memorável ou importante já publicado, aquele que você continua lendo depois de anos? Porquê?

Na verdade, são vários. Vinyl, da Holanda, ainda é ótimo. Eu amo aquele fanzine holandês chamado Boh, mas também o Interchange (o qual eu fui solicitado a não postar). Eu geralmente releio todos zines antes de escanear, enquanto como a janta.

Recentemente você começou um novo blog, completamente dedicado à revista holandesa Vinyl. Você poderia nos falar um pouco sobre essa revista? Porque ela foi tão importante para a cena musical da Holanda?

Vinyl era um ataque à uma grande revista holandesa chamada Oor, e simplesmente escrevia sobre música que a Oor ignorava. Vinyl tinha uma tiragem de 5000 exemplares que aumentou depois, era acompanhada de um flexi disc com bandas extremamente incomuns, escrevia sobre cassetes, etc. Quanto mais importante ela poderia ser? Depois de 3 anos eles perderam a linha, começaram a escrever sobre Bowie e tudo o mais, e outras revistas apareceram.

Vamos falar sobre a movimentação de fanzines hoje. O quão relevante você acha que ela é? Você acredita que a internet pode tomar o papel que costumava ser dos zines, ou ambos podem coexistir? Você ainda compra e coleciona zines impressos?

Eu não tenho dinheiro para comprar coisas, mas um amigo meu tem um pequeno selo, então eu pego alguns zines com ele de tempos em tempos. Atualmente, a melhor revista em holandês é editada na Bélgica e se chama Gonzo Circus. Eu não faço a menor ideia sobre o quanto os fanzines são relevantes hoje em dia. Eu gosto de zines. Eu não gosto de internet. A internet é usada por tolos que não têm uma vida particularmente interessante, então eles se encontram lá para ofender uns aos outros. Eu vou lá para encontrar boa música, e então a desligo. Acho doloroso ver a demência que rola na internet.

Considerando a quantidade de informação e conhecimento que você provavelmente tem sobre a cena industrial/experimental, como você acha que ela evoluiu dos anos 80 para cá? Você se sente de alguma forma nostálgico?

Eu não me considero nostálgico. Eu gosto de disponibilizar uma publicação ou um pouco de música que as pessoas deveriam ler ou ouvir (ou não). Os velhos dias não eram bons, e os dias atuais não são ruins. A música experimental ainda está lá, ainda pequena, ainda espancada pela “verdadeira” mídia, ainda não vendável. Através de um amigo eu me mantenho informado – ele escreve sobre isso para www.vitalweekly.net (ok, talvez eu navegue mais pela internet do que havia dito). Talvez em 20 anos alguém irá compartilhar o que é novo agora como “no longer forgotten music” (n. do t.- em português, “musica não mais esquecida”). Isso seria legal. Mas não serei eu. Meu blog não é a meu respeito, nem é para satisfazer meu ego. Eu não saqueio redes P2P e compartilho como se aquilo fosse meu. Tudo o que eu posto, eu tive em minhas mãos.

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2 Comentários leave one →
  1. 25/02/2010 19:15

    Fala ai galera, ficou muito maneira a entrevista, estou na espera do especial sobre Cascadian Black Metal e sugiro algo sobre Martial Folk e Cold Meat Imdustry.
    Abração.

    • 26/02/2010 03:52

      Fala, Mugiba! O especial sobre Cascadian Black Metal talvez demore um pouco mais para ficar pronto do que havíamos previsto, mas uma hora ele aparece. Sugestões anotadas sobre martial folk e Cold Meat Industry!

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