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O manifesto da Ugra

18/02/2010
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Ou “Missão, Visão e Valores” de uma empresa a serviço da Queda e do Nada.
Cidadão respeitável, tremei.


LOBO EM PELE DE CORDEIRO

A praga do politicamente correto impregna a sociedade contemporânea. Equivocado antídoto ao niilismo pós-moderno, faz da inversão de valores sua profissão: chama de motivação o desespero, de sabedoria a superficialidade, de tolerância o cinismo. Coerentemente, procura não enfrentar as vozes que o transgridem. Pelo contrário: apropria-se delas, reduzindo-as aos seus aspectos menos profundos e transformando-as em commodities.

Essencialmente, caminham todos para o mesmo buraco. A diferença é que agora fazem o percurso com um sorriso no rosto.

A UGRA é nosso esboço de reação a essa situação.

Reconhecemos a movimentação alternativa como berço da maior parte da produção cultural relevante nas últimas décadas. Desde que a cultura passou a ser um bem de consumo, consolidou-se o discurso raso e as ideias simplórias como padrão. Consequentemente, as propostas divergentes passaram a ser alternativas. Eventualmente, elas adquiriram as mais diversas características e formas de expressão: da poesia beatnik de Jack Kerouac ao anarcopunk do Crass, do cinema de transgressão de Nick Zedd ao black metal misantropo do Burzum.

Esses são nossos 10 centavos de contribuição a essa tradição de pensamento e produção alternativos.

Antes de mais nada, a UGRA é um projeto experimental. Por experimental referimo-nos mais à disposição em, efetivamente, experimentar e buscar diferentes soluções para um mesmo problema, do que à pretensão de estarmos filiados a algum tipo de vanguarda.  Tudo na UGRA faz parte de processo de aprendizado individual cujos resultados são compartilhados, em oposição à produção massificada milimetricamente planejada para “nichos de mercado”.

Tomamos o “faça-você-mesmo” como nossa única religião. Fazer o que quisermos como quisermos é a única forma de garantir que nossa produção será um reflexo sincero do que somos e pensamos. Não nos interessam os enlatados e não nos impressionamos com o luxo industrializado, mas não resistimos a um bom tanto de alma, criatividade e controvérsia.

O livre pensamento é também um valor de suma importância para nós. Continuamente mais interessados nas perguntas bem feitas do que nas respostas fáceis, mantemos das doutrinas e corpos ideológicos a distância necessária para caminhar livremente entre as mais diversas propostas sem nunca perder o senso crítico. Recusamos os cabrestos que obscurecem a visão e não temos motivos para pedir desculpas por isso.


Tá, mas o que vocês produzem, afinal?

Não há limites.

Num primeiro momento, trabalharemos em duas frentes: a editora e o selo. Dessa forma conseguiremos materializar nossa própria produção e, sempre que possível, a de outras pessoas que admiramos.

Paralelamente, nossa presença virtual busca tirar vantagem da rapidez e dos baixos custos de sua natureza para ampliar contatos e nos ajudar a difundir, documentar e fomentar tudo o que faça parte do imaginário da UGRA.

Para o futuro, sabe-se lá.

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8 Comentários leave one →
  1. 19/02/2010 15:18

    Legal!
    Parabéns
    pela iniciativa eu gostaria de poder ajudar de alguma forma, principalmente se forem trabalhar com audiovisual.

    Paulo Oliveira

    • 20/02/2010 03:16

      Fala, Paulo! Obrigado pelo apoio e interesse. Vamos manter contato, qualquer dia nós faremos algo junto.
      Adicionamos um link para o teu blog, ok? Abraço!

  2. 10/09/2010 14:48

    Ótima iniciativa. Acho que de forma nacional estamos sentindo falta de conteúdo artístico de referência.

    Parabéns.

    Já participei de alguns Fanzines municipais e sei como esse hábito está “perdido”. É preciso bons meios de divulgação.
    Se precisarem, podem contar com a minha ajuda.

    Abraços,
    Mariana Khalil.

  3. 29/01/2011 16:38

    Essa “movimentação de solo” a que estão se propondo é muito maior do que o que se pode ver hoje. É preciso um canal aberto para que mais gente ajude, mais gente colabore, mais gente mande seu sangue e sua alma para os canais competentes.

    Então, a pergunta (não muito rebuscada, bem simples, mas necessária) é: como todos (eu, o Zé Oflas da esquina e o guri que cheira cola em Araguaína) podemos participar?

  4. ludcarlos roberto de jesus permalink
    24/06/2012 22:02

    ola meu nome e ludcarlos sou editor do zine DISTURBIO gostaria de receber alguns zines como posso depositar a grama tambem, o meu saira em breve so em xerox voce me fala quanto custa tudo tambem vou deixar meu mail no mais e isto ai valeu ludcarlos577@gmail.com

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  2. A Ugra faz anos… «

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